Ser feliz até nas infelicidades

Não sou de ter insônia, muito pelo contrário, sempre quero dormir mais do que posso. Mas são 3h20 da manhã e eu estou com os olhos abertos há meia hora rolando de um lado para o outro, desbloqueando e bloqueando o celular, passando de uma rede social para outra, curtindo fotos de pessoas aleatórias enquanto escuto os poucos carros que passam na rua.  

Vi uma foto de uma menina que eu sigo e li a legenda sobre como o seu dia foi cheio e mesmo assim ela estava grata. Me identifiquei. Não que eu tenha tido um dia de reuniões e trabalho. Inclusive, eu gostaria muito que fosse e até me imaginei nessa situação. Talvez isso preenchesse a falta que eu tenho sentido de estar dentro de algo que vá me levar para algum lugar no futuro. A verdade é que os meus dias têm se resumido em estudar matéria acumulada que briga com a vontade de passar o dia no celular vendo coisas inúteis. Mas me enxerguei na parte em que a vida mudou de forma que me trouxe vários desejos que eu carregava comigo desde muito nova. Foi só parando para olhar para trás e analisando os últimos anos que eu pude perceber.  

Por muitos anos na hora do parabéns, quando alguém dizia “faz um pedido” eu pensava “eu quero ser feliz” antes de assoprar e apagar a vela do bolo. Era automático, eu não sabia o porquê, mas sabia que só algo muito sincero e vindo de dentro poderia ser tão instantâneo. Era o meu inconsciente trazendo um desejo que às vezes eu nem me ligava que tinha, ou que não tinha.  Parecia até meio bobo, já que eu tinha uma família com saúde e nunca me faltou amor, mesmo que nem sempre tão unida – acontece nas melhores. Eu vivia rodeada de amigos, mesmo que só me sentisse eu mesma com quase nenhum.

Na verdade, nessa época, eu acho que não me sentia eu nem comigo. Era como se existissem mil coisas dentro de mim que eu não conseguia externar, que muitas vezes não conseguia admitir ou assumir nem para mim mesma. De alguma forma, e pode parecer besteira, mas eu me sentia meio idiota com as coisas que eu sentia e achava que ia parecer ainda mais idiota se fizesse ou agisse de tal forma. Até que eu entendi que idiota eu estava sendo de não me permitir ter a felicidade que eu tanto queria.  

Não vou enganar ninguém, não existe uma fórmula e muito menos um jeito mais fácil. É com as pancadas que a gente aprende. Acredite ou não, é com elas que nós encontramos a felicidade. É de tanto levar que a gente percebe que o mundo não acaba em um tombo e vai se tornando, pouco a pouco, imune ao mal que chega até nós. Pode ser clichê, e que seja, desde que isso em algum momento se torne claro para todo mundo que precisa entender.  

Eu não estou falando de ser feliz só com as maravilhas da vida – e olha que são muitas, só o fato de você poder estar lendo esse texto já são várias. Estou falando de ser feliz até nas infelicidades. Não que seja fácil, não é. Mas se torna diferente quando você entende que aquilo está acontecendo e nada vai poder mudar o fato, a não ser o seu pensamento e o que você vibra. O que muda é o que está dentro de você e o que você vai fazer com isso. Cada pequeno deslize no dia a dia é uma oportunidade a mais de aumentar essa habilidade.  

Um dia de cada vez, sem medo de ser quem a gente realmente é, sabendo lidar com as tristezas e alegrias – que, diga-se de passagem, são todas passageiras – é que a gente vai conquistando um pedacinho por vez de tudo o que a gente quer. E quando percebe, já está lá. 

Nayara Rosolen

You may also like

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *