Ser feliz até nas infelicidades

Não sou de ter insônia, muito pelo contrário, sempre quero dormir mais do que posso. Mas são 3h20 da manhã e eu estou com os olhos abertos há meia hora rolando de um lado para o outro, desbloqueando e bloqueando o celular, passando de uma rede social para outra, curtindo fotos de pessoas aleatórias enquanto escuto os poucos carros que passam na rua.  

Vi uma foto de uma menina que eu sigo e li a legenda sobre como o seu dia foi cheio e mesmo assim ela estava grata. Me identifiquei. Não que eu tenha tido um dia de reuniões e trabalho. Inclusive, eu gostaria muito que fosse e até me imaginei nessa situação. Talvez isso preenchesse a falta que eu tenho sentido de estar dentro de algo que vá me levar para algum lugar no futuro. A verdade é que os meus dias têm se resumido em estudar matéria acumulada que briga com a vontade de passar o dia no celular vendo coisas inúteis. Mas me enxerguei na parte em que a vida mudou de forma que me trouxe vários desejos que eu carregava comigo desde muito nova. Foi só parando para olhar para trás e analisando os últimos anos que eu pude perceber.  

Por muitos anos na hora do parabéns, quando alguém dizia “faz um pedido” eu pensava “eu quero ser feliz” antes de assoprar e apagar a vela do bolo. Era automático, eu não sabia o porquê, mas sabia que só algo muito sincero e vindo de dentro poderia ser tão instantâneo. Era o meu inconsciente trazendo um desejo que às vezes eu nem me ligava que tinha, ou que não tinha.  Parecia até meio bobo, já que eu tinha uma família com saúde e nunca me faltou amor, mesmo que nem sempre tão unida – acontece nas melhores. Eu vivia rodeada de amigos, mesmo que só me sentisse eu mesma com quase nenhum.

Na verdade, nessa época, eu acho que não me sentia eu nem comigo. Era como se existissem mil coisas dentro de mim que eu não conseguia externar, que muitas vezes não conseguia admitir ou assumir nem para mim mesma. De alguma forma, e pode parecer besteira, mas eu me sentia meio idiota com as coisas que eu sentia e achava que ia parecer ainda mais idiota se fizesse ou agisse de tal forma. Até que eu entendi que idiota eu estava sendo de não me permitir ter a felicidade que eu tanto queria.  

Não vou enganar ninguém, não existe uma fórmula e muito menos um jeito mais fácil. É com as pancadas que a gente aprende. Acredite ou não, é com elas que nós encontramos a felicidade. É de tanto levar que a gente percebe que o mundo não acaba em um tombo e vai se tornando, pouco a pouco, imune ao mal que chega até nós. Pode ser clichê, e que seja, desde que isso em algum momento se torne claro para todo mundo que precisa entender.  

Eu não estou falando de ser feliz só com as maravilhas da vida – e olha que são muitas, só o fato de você poder estar lendo esse texto já são várias. Estou falando de ser feliz até nas infelicidades. Não que seja fácil, não é. Mas se torna diferente quando você entende que aquilo está acontecendo e nada vai poder mudar o fato, a não ser o seu pensamento e o que você vibra. O que muda é o que está dentro de você e o que você vai fazer com isso. Cada pequeno deslize no dia a dia é uma oportunidade a mais de aumentar essa habilidade.  

Um dia de cada vez, sem medo de ser quem a gente realmente é, sabendo lidar com as tristezas e alegrias – que, diga-se de passagem, são todas passageiras – é que a gente vai conquistando um pedacinho por vez de tudo o que a gente quer. E quando percebe, já está lá. 

Nayara Rosolen

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Tudo novo de novo

Estou sentada em uma cadeira de frente para a janela que fez a minha vista durante os últimos 18 meses. Tirei minhas roupas do guarda-roupa, fechei as malas, amontoei meus livros e fiquei olhando para tudo. Mais uma mudança. Mais uma despedida. Um novo ciclo que já tem se iniciado faz algumas semanas.

Dessa vez eu não vou para tão longe – são só duas ou três quadras – mas mesmo assim me faz refletir. Ainda que eu já tivesse chegado nesse lugar um pouco mais dentro de órbita, ainda sentia muito medo sobre o futuro, e ainda sinto. Mas agora é diferente. Eu queria poder colocar em palavras em todos os sentidos que me transformei, mas tudo ainda me parece muito turvo.

Quem me vê pode até pensar que continuo a mesma pessoa, mas existem coisas dentro de mim que não me deixam enganar: mudei demais. Se quando eu pisei dentro desse apartamento alguém me dissesse tudo o que eu viveria pelo próximo um ano e meio, eu chamaria de louco e provavelmente sairia correndo. Eu jamais imaginei que pudesse passar por tanta coisa. Situações que me transformaram, transformaram minha visão de mundo e de tudo o que eu quero para a minha vida.

Eu realizei sonhos, subi num palco pela primeira vez, assisti à um dos pores do sol mais lindos durante grande parte do tempo em que estive aqui, direto da janela do meu quarto. Também fiquei várias noites admirada olhando as luzes dos prédios e dos carros. Passei por crises, muitas vezes internas, que quase ninguém foi capaz de perceber, mas que me ensinaram muito. Conheci pessoas e muitas delas já não estão mais do meu lado, outras, mesmo que de longe, mostram o carinho que ficou. Vim para cá com dois lares e agora tenho três, um meu, um com meu pai e outro com a minha mãe, que decidiu que a vida é curta demais para a gente perder não vivendo. Ela me inspira.

Desentalei coisas que estavam presas na minha garganta há anos, tive conflitos e me livrei de pesos. Aprendi que dividir meu lar pode ser tão bom quanto morar sozinha e que com respeito e empatia todo mundo acaba bem. Percebi que me esquentar demais por coisas bobas ou que não dependem de mim, não vai me levar a lugar nenhum. Parei de reclamar tanto. Comecei a agradecer mais. Me vi rodeada de pessoas do bem e que me amam de um jeito como nunca havia percebido antes. Encarei no espelho uma pessoa mais feliz, disposta e de bem consigo mesma. Decidi que era hora de começar a dar um novo rumo para a minha vida e me joguei de cabeça.

Tive que sair do meu casulo e enxergar o mundo de várias outras formas. Assim como me portar diante dele com um jeito diferente também. Deixei tudo o que me prendia de lado. Descobri que prender não faz ninguém ficar. Que as amizades nunca são as mesmas para sempre. E que está tudo bem. Entendi os meus limites e muitas vezes fui além do que podia. Mas ok, são experiências. Recebi oportunidades que me fizeram ser mais confiante sobre coisas que eu gosto de fazer, mas que nunca achei que fosse muito capaz.

Aprendi a escutar. Não aos outros. Não às minhas vontades e muito menos o que eu gostaria de ouvir. Tudo ao redor ficou em silêncio e aí sim puder começar a ouvir a verdade. Aquela que vem de dentro e que a gente só sabe sentindo. Um propósito maior e mais sábio que o dos homens. A voz que vem de dentro ou que nos é mostrada por coisas materiais, mas vindo do universo e quem o administra. Aprendi também que sempre existirão provações muito mais tentadoras que farão o impossível para que a gente desista do que vem de dentro. Mas, acredite, no final das contas, não compensa. O caminho mais fácil (ou mais atraente) sempre nos levará ao fracasso, ainda que disfarçado de sucesso.

Passei a dar mais valor à minha família e ao meu relacionamento com ela. Senti meu coração apertar por pensar em oportunidades que desperdicei de passar mais tempo com o meu irmão. Minhas ligações com a minha mãe passaram a ser horas refletindo sobre a vida e o que ela tem a me ensinar. Meu pai foi tomando novamente aos poucos um pedaço do meu coração que andava despedaçado. Passei a reparar em coisas que realmente me acrescentavam e outras que estavam só acumulando. Fui me desligando de uma a uma.

Comecei a ter menos medo da vida e mais vontade de viver. Dar mais valor a cada pequeno detalhe aparentemente bobo, mas que faz toda a diferença. Voltei a ver as coisas que me acontecem com um brilho diferente no olhar e vi que dá pra ser feliz sim. Dá pra ser feliz até se acabar.

Estou indo e levando todas as coisas boas que ganhei e deixando todas as outras ruins aqui, mas com tudo na lembrança pra nunca esquecer a gratidão que eu sinto pelo que fui e o que me tornei.

Nayara Rosolen

 

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Está tudo bem

O bom da vida mesmo, é quando a gente para de se importar. Isso mesmo, quando a gente deixa tudo para lá. Todas as preocupações, as irritações sem motivos e a ansiedade exagerada.

Com o tempo passamos a entender que cada ser humano tem seu próprio tempo e jeito de levar as coisas, que ninguém nunca vai alcançar as nossas expectativas, pois cada um tem as suas próprias.

Um compromisso desmarcado não deve acabar com o seu dia, uma resposta mal dada talvez só tenha esse peso do seu ponto de vista. Há dias em que não estamos em sintonia com as pessoas ao nosso redor. E está tudo bem. Isso não precisa tomar uma importância maior do que tem.

As pessoas nunca serão as mesmas para sempre. Nós passamos por fases o tempo todo. Isso explica tantas chegadas e partidas, assim como as idas e voltas das mesmas pessoas. Se no momento as energias não estiverem batendo, a vida dá um jeito de colocar cada um no próprio trilho, até o momento em que vocês possam se encontrar de novo no meio do caminho. Ou não. Qualquer que seja o destino, está tudo bem.

Julgar pessoas diferentes, com contextos desconhecidos, que passam por situações que não fazem parte da sua realidade, não te faz uma pessoa melhor. Nem torna o outro pior. Cada um tem suas próprias lutas também. E, acredite, por mais próximos que possamos ser, nunca sabemos o que realmente passa dentro do outro. Há coisas dentro de nós que nós mesmo não conseguimos entender. Quem dirá explicar.

Se não deu certo agora, talvez não seja a hora. A frustração não pode te impedir de dar novos passos ou fazer desistir de um sonho. Começar a sofrer antecipadamente não vai fazer com que a situação passe mais rápido. Talvez nem aconteça. Se desesperar diante dos desafios não faz com que você os ultrapasse. Não duvide da sua capacidade. Por pior que possa parecer, sempre há um caminho. E se mesmo assim não for possível resolver, não se culpe. Estamos aqui para aprender.

A vida é muito mais do que números, aprovações do mundo e um sucesso definido pelos outros. Nós somos mais do que aquilo que conseguimos fazer ou demonstrar.

Se apegue só com o que você realmente é e com o que tem no presente. Daqui alguns segundos, tudo pode mudar. E está tudo bem.

Nayara Rosolen

 

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Valeu, Agosto!

Agosto é sempre conhecido por ser um mês longo, difícil, demorado… Daquele que parece estar se arrastando. Se julho é a esperança da segunda metade do ano, agosto é como se fosse o pós-carnaval, onde a gente tem que acordar para a realidade e encarar a rotina corrida e cansativa. Esperando ansiosamente para que os últimos meses do ano passem voando e chegue dezembro, mês de magia e amor que aquece o peito.

O oitavo mês do ano é de praticar a tal resiliência e perceber que somos muito mais fortes do que aparentamos ou achamos ser. Ainda que sempre tenha sido o mês mais esperado por mim, sempre foi carregado… Carregado de reflexões, provas da vida e desafios, que sempre me fazem crescer.

Dizem que nele a bruxa fica solta (e olha quem nem é o mês dela). São os 31 dias de “cachorro louco”. De comemorar o dia dos pais (mães, avós, avôs, tios, tias e todos aqueles que fazem esse papel tão bonito). Sem dúvida o mais zoado na internet, já que não tem nem um mero feriadinho.  É o mês de alguém que se tornou muito importante também. E que faz lembrar a falta de uma pessoa que foi muito querida.

No meio de toda essa loucura, agosto ainda deu um espacinho para me receber, bem no finalzinho, quase nos 45 do segundo tempo. E, por isso, há 21 anos ele é o mês mais lindo do ano (modéstia à parte). Por esse motivo, se tornou o mês da saudade também. A vontade de estar com as pessoas que aquecem meu coração e me fazem dar as gargalhadas mais altas e estranhas. Dias que me fazem entender o que é ser gente grande e pensar que talvez não seja tão legal assim. Mas só até eu olhar para a janela, lá fora, nas luzes da cidade, e lembrar que a minha versão de alguns anos atrás estaria saltitando por passar essa data no lugar onde sempre sonhou morar.

Agosto é mês de gratidão. De dar aquela respirada funda e ir de peito aberto para um novo ciclo que a vida preparou. Sem perder o brilho nos olhos ou o embrulhinho gostoso no estômago quando aparece mais um desafio. Agradecer pelos desejos realizados e fazer mais alguns, porque é para isso que estamos aqui. Viver. Sonhar. Realizar.

Valeu, agosto. Valeu muito, cada segundo. Você é, como diria na gíria atual, “topíssimo”!

Até mais,

Nayara Rosolen

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(Re)começo

Eu mudei. O Blog também mudou. Mas o blog só mudou, porque eu mudei primeiro. Aliás, ele só existe por causa disso. E, por mais que pareça que tudo continua relativamente igual, há dois anos que eu vivo uma constante mudança.

Isso sempre fez parte de mim. Eu sempre enjoei muito fácil das coisas, mas essas mudanças foram muito além de estar com a unha cada dia de uma cor ou cansar da Playlist do celular. Foi coisa interna. Mudei de cidade, sim. Troquei os ares, conheci pessoas diferentes, parei de adiar sonhos. Porém, tudo isso, recorrente de uma decisão: Passei a decidir por mim mesma tudo o que faria a partir dali.

A primeira coisa foi me conhecer e isso é um processo, que eu espero nunca acabar. Eu precisei mergulhar dentro de mim mesma e tentar solucionar várias questões sobre coisas que eu sentia, vivia e que mexiam comigo, mesmo que de um passado distante. Algumas delas eu trabalho até hoje. E eu aprendo um pouco mais todos os dias.

A partir do momento em que eu comecei a explorar mais de mim mesma, senti mais confiança em me abrir para que as pessoas pudessem conhecer também. E é tão boa essa sensação. Isso de se abrir para a vida e libertar toda energia boa que existe para o mundo. Arriscar e não ter medo de cair, porque sabe que cada queda te torna mais forte. Se decepcionar e agradecer por ter a certeza de quem está – ou não – do seu lado.

Meu cabelo mudou. Uma… duas… três vezes. Meu senso crítico se atropelou, minha mente se abriu, eu me abri para o diferente. E eu gostei. Gostei de queimar a língua e ver com outros olhos algumas situações que antes tinham apenas uma verdade, para mim.

Eu, que sempre fui tímida, me vi em uma necessidade de sair da zona de conforto, viver novas experiências e adquirir novos aprendizados.  Desde então, a cada dia, descubro algo novo sobre mim mesma. E acredito que viajar dentro de nós mesmos é tão, ou até mais, interessante do que conhecer o mundo inteirinho.

Aprendi que a vida é feita de fases não só no sentido de que uma hora estamos bem e em outras mal. E sim em tudo o que passa por ela. Pessoas, sentimentos, costumes, manias, crenças. Estamos sempre expostos a novas formas de pensar e viver. Podemos, sim, mudar a qualquer momento. E está tudo bem.

Ainda que seja dolorido algumas partidas ou difícil se acostumar com rotinas diferentes, uma hora a gente aprende que esse sentimento vai passar, assim como os próximos também.

Esse é o recomeço que eu mais esperei. Onde tive que abrir mão de coisas e aceitar situações para poder dar o melhor de mim no que realmente é o foco e prioridade do momento… minha vida. E tudo será compartilhado aqui.

Sejam bem-vindos… novamente.

Com amor,

Nayara Rosolen 

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TÁ TUDO CERTO

A gente muda mesmo, “mores”. A gente tá aqui pra viver, aprender, se reinventar. Qual seria a graça de ser sempre o mesmo? O melhor da vida é experimentar.

Num dia a gente espera pelo príncipe encantado, no outro a gente corre atrás daquele carinha só pra dar uns beijos. Hoje a gente não curte muito a combinação de água salgada com areia, amanhã a gente quer virar sereia. Ano passado a gente assistia carnaval pela TV, só pra criticar, e ano que vem a gente pode estar pulando na Sapucaí. Eu posso ter pânico de avião e amanhã querer viajar o mundo.

Sua família pode não concordar, sua vizinha pode comentar, seus amigos podem olhar meio estranho. Afinal, é difícil mesmo encontrar quem não tem medo de ser o que é, fazer o que gosta, com quem gosta, na hora que bem entender. Causa espanto. Essa tal de coragem é para poucos – felizes os que têm.

Ninguém pode te julgar por querer transformar o que te incomoda. E muito menos por se aceitar do jeitinho que você é. Tudo certo querer ficar em casa no sábado a noite, se é o que te faz bem. Festar o final de semana todo? Tá liberado também.

Tá tudo bem trocar a Medicina pela Arte. Ok se você já não se sente você com o que vê no espelho. Não faz mal repaginar o guarda-roupa, cortar o cabelo, fazer o que quiser no seu corpo. Não tem problema nenhum se arrepender por coisas que já fez ou disse (só não vale se martirizar). Tá feito, tá dito. Bora mudar.

Deixa a língua queimar, deixa a alma vibrar. Hipocrisia mesmo é a fala que mente, é não viver o que sente.

Nayara Rosolen

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Hoje não

Hoje eu passei o dia refletindo. Lembrei de alguns momentos, fantasiei outros, mas não subiu o nó na garganta. Hoje não. Hoje eu poderia ter me me aborrecido por falta de consideração, me ofendido por coisas que se tornaram grandes demais em outra época. Hoje não. Hoje eu poderia mais uma vez ter ido atrás ou perguntado para aquela amiga em comum se tem tido notícias. Não, hoje não.

Hoje eu fui o que me tornei graças a tudo o que ele sempre tentou me avisar sobre os outros. Os outros que se tornaram ele – que nunca poderá ser comparado a ninguém.

Nayara Rosolen 

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Prepara que lá vem textão: Férias + Reflexão

Hoje é quarta, dia de texto, mas não tem texto – dependendo de como você enxergar esse post. Percebi que a maioria das coisas que tenho escrito são reclamações, mesmo que sempre acabem em um tom de conselho – esse meu lado aspirante-a-psicóloga-especializada-nos-problemas-das-amigas não me larga. Mas, tudo bem, eu só comecei a escrever porque tinham coisas que precisavam ser jogadas em palavras. E isso se tornou muito mais que desabafos trancados a 7 chaves.

Minhas palavras se tornaram um blog, que se tornou em muitas outras oportunidades nesse meio. Sou tão grata. Sou tão feliz. Cresci tanto. Conheci tanta gente. Escutei tanta coisa. Aprendi a me amar. Tem coisa mais linda que isso?

A internet é uma coisa doida. A gente se sente íntima de pessoas que nem sabem da nossa existência. A gente escuta verdades que nos fazem lidar com nossos monstros internos. A gente se liberta. Eu me libertei.

Há dois anos eu fiz uma viagem sem medo de ser feliz. Estava com pessoas de bem – meus amigos – que sempre me incentivaram a ser como eu realmente sou. E eu fui. Não fiquei mais trancada dentro do quarto, quase virei um peixe de tanto que entrei na água (de maiô, um avanço, diga-se de passagem), desci de um escorrega no meio do mar – minha mãe me perguntou quem era aquela e o que tinham feito com a filha dela quando mandei o vídeo. Tudo isso fez mudar meu conceito de férias-praia-calor.

Não que o resto do ano tenha sido maravilhoso, não foi. Passei por uma série de mudanças, tive que me enxergar de verdade. Esse foi o ponta pé inicial para o ano seguinte (que foi ano passado). Nunca fiz tanta coisa ao mesmo tempo. Era como se eu estivesse colocando em prática tudo aquilo que eu sonhei por anos antes de dormir, de uma vez só. E só agora, longe de toda a loucura, eu consigo ver quão grande foram os passos que eu dei. Foi incrível.

Tá, Nayara, mas o que isso tem a ver?

No meio de toda essa reflexão durante esses dias que estou passando na casa dos meus pais, vi que esqueci de lembrar de mim. Esqueci de respirar fundo, de entender qual era o real problema quando eu me sentia mal. Percebi que descontei em coisas e pessoas que em nada tinham a ver. Não me dei um tempo para relaxar, para pensar em mim, em tudo o que estava rolando. Só segui o fluxo. E, mesmo já tendo aprendido, engoli sapos que não eram meus. Ouvi coisas que não deveriam ser disparadas para mim. Me esgotei.

Nesse exato momento em que eu escrevo e começo a lembrar de tudo, eu sinto uma gratidão muito, muito, muito grande. Mas, ao mesmo tempo, me sinto muito, muito, muito cansada – e nem é cansaço físico.

Hoje eu vou viajar. Para o mesmo lugar que fui com os meus amigos dois anos atrás, mas sem eles dessa vez. Estou ansiosa. Não só porque vou poder descansar, mas também porque quero saber como será essa viagem. Me sinto muito mais aberta e confiante sobre o meu corpo, mas vai ser um desafio. Quero muito acordar cedinho pra ver o nascer do sol, quero tirar muitas fotos, quero entrar no mar com meu maiô sem medo de ser feliz, quero refletir, quero descansar.

Eu estou trabalhando nessas férias desde o final de dezembro e algumas coisas têm me sufocado. Por esse motivo, também tomei algumas decisões. A primeira delas é de que não vou mais fazer qualquer coisa por obrigação, seja aguentar situações que me fazem mal ou fazer posts no blog.

Eu tenho, sim, muitos planos aqui pro meu cantinho e quero realizá-los esse ano, mas não vou conseguir fazer nada bem feito se não estiver com a mente descansada, por isso não teremos posts durante os próximos dias.

Ainda não sei se isso é uma reflexão, um monte de pensamentos aleatórios, se é um incentivo à ser feliz do jeitinho que é, a pensar mais em você, uma carta explicativa ou simplesmente um desabafo. Talvez seja tudo isso ao mesmo tempo.

Eu só queria dizer que vocês não precisam aguentar coisas e pessoas que não os fazem bem. De maneira alguma. Não se sintam na obrigação e a pressão de parecerem sempre legais ou simpáticos e serem algo que não são. Ou não se amar do jeito que é. Pensem em vocês. Não fiquem loucos. Desejo isso do fundo do meu coração. Fiquem bem!

Com amor,

Nayara Rosolen

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Deixa Livre 

A vida é feita de ciclos que estão sendo abertos e fechados o tempo todo. Da mesma forma que coisas e pessoas são colocadas no nosso caminho sem que a gente possa esperar, também são retiradas sem se quer perguntar a nossa opinião.

Às vezes nos livramos, já em outras acabamos machucados. Na maioria das vezes dói para que depois a gente compreenda que foi a melhor solução. Mas nós nunca estamos preparados.

Já tive que deixar quem nunca me fez bem e ainda me causava cegueira. Existiram aqueles que mesmo sem qualquer pretensão dominaram partes de mim das quais eu nem tinha conhecimento. Na hora de dizer tchau o sentimento de perda foi tão grande quanto a certeza que eu tinha no começo de que não significaria nada. E, claro, não poderiam faltar os que eu já sabia que seriam problemas antes mesmo de começar. Foram dos grandes.

Em qualquer um desses casos, por mais distintos que pareçam ser, algumas etapas se tornam comuns. 1) Vocês encontram um problema 2) Rola uma luta para que o que foi construído seja recuperado 3) A negação do fim vem a seguir 4) A gente sofre 5) Isso se torna uma pequena cicatriz que nos torna mais fortes para o próximo capítulo 6) Prometemos que nunca irá cometer o mesmo erro novamente 7) Nós passamos por tudo isso de novo.

Isso não significa que somos fracos, muito menos ingênuos. Às vezes demoramos mais para aprender. Ou precisamos retomar a lição.

De qualquer forma, terminar algo é sempre doído. Muitas ligações são feitas durante o caminho, nos conectamos aos outros e, na maioria dos casos, cometemos um deslize: trancar a porta ao entrarem. A porta nunca deve estar fechada.

Pessoas não são propriedades, nós não somos donos de ninguém e nem temos o direito de tentar prendê-los a nós. Tão fácil na teoria não é mesmo? Difícil é abri-la quando já não faz mais sentido acumular dentro algo que não acrescenta em mais nada. Ou, na mais perfeita das situações, nunca sequer encosta-la.

Deixa aberto. Deixa livre. Deixa voar. Quem quer, de verdade, fica. Ou, pelo menos, acaba voltando. Se não voltar, não era seu. Ou então já teve o seu tempo.

Aceita a vai ser feliz.

Nayara Rosolen

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2016 em 6 textos #RetrospectivaSPE

Boa tarde, lindjos!!!

Como dito no post anterior, eu não consegui fazer os posts que pretendia na última semana de 2016 por conta da correria, masss não desisti não. Então durante essa semana vou fazer uma pequena retrospectiva do ano passado no blog.

Do dia 30 de março (data de publicação do primeiro texto) ao dia 31 de dezembro foram publicados 47 textos autorais, 5 textos de autores que eu me identifico e 13 citações, tanto de textos meus quanto de outros. Além do conto especial de Natal dividido em 5 partes.

Inicialmente o blog era só um lugar para eu deixar registrados os meus textos, muito do que eu vi e vivi em 2016 ficou refletido em coisas que eu escrevi, portanto decidi não compartilhar os mais acessados, mas os que resumem o ano que passou. Bora lá?

De: A eu do presente, Para: A eu do passado

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Eu passei por muitas mudanças não só em 2016, mas nos últimos anos. Passei a refletir muito sobre o que eu já passei e já fui um dia e resolvi fazer uma “carta” para a minha versão mais nova.

Não abuse, cuide!

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Durante todo o ano, assistimos muitas coisas tristes acontecerem, mas também vimos a força da mulher crescer. Infelizmente, tudo isso só veio a repercutir por uma situação lamentável que aconteceu logo no primeiro semestre. Eu despejei tudo o que eu sentia sobre a situação em um texto.

E foram felizes para sempre?

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2016 também foi o ano das separações e é incontável o tanto de pessoas que compartilharam nas redes sociais não acreditarem no amor. William e Fátima, Brad e Angelina… casais que jurávamos ser perfeitos um para o outro e que viveriam juntos até de bengalinha. É difícil não ficar triste, mas o mundo não acabou. Antes mesmo de toda essas bombas começarem a ser soltas, eu já havia escrito um texto sobre isso.

Permita-se 

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Se tem uma coisa que eu fiz esse ano, foi ignorar comentários alheios e fazer coisas das quais realmente me fazem feliz. E, entre altos e baixos, eu fui feliz. Também escrevi sobre o quanto é importante parar para pensar em você no meio de toda a bagunça da rotina.

Aquele Alguém 

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Esse ano eu senti saudade, e tive que aprender a superar as partidas da vida. Coincidentemente, ou não, o texto mais lido do ano é esse e fala sobre isso.

Com amor 

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Mas, acima de qualquer coisa, eu agradeci.

Obrigada a todos vocês que acompanharam e me incentivaram a continuar escrevendo e fazendo o que eu  amo, mesmo pensando em desistir tantas vezes. <3

Beeeijos,

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